domingo, 24 de setembro de 2017

Contributo para as Lendas de Portugal... Mírtilis - Mértola

                                               Foto de: Victor Barão | Fotografia

Uma aliança com os Fenícios - nasce Mírtilis

Cófilas domina já toda a vasta região da bacia do Ana e daqui até ao Atlântico. Gês e Serpe são os dois pontos concêntricos de maior população e os dois mais fortes baluartes de defesa. Ele sabia, porém, que Rolarte, seu inimigo figadal rondava, como abutre de garras aduncas, suas fronteiras e não perdoaria a Serpínia tê-lo preterido no amor. Mais tarde ou mais cedo ele voltaria à carga, viria incomodá-lo de novo e por isso havia que prevenir tudo. Começara, pois, a construir novos aldeamentos, novos castros, pontos de defesa e muitas vias de comunicação. A terra era muito plana mas de difíceis possibilidades de comunicação. No Verão, muito pó; no Inverno, caminhos lamacentos em que o barro atolava e pegava tudo por causa da sua constituição argilosa. 

Neste entrementes Cófilas soube que umas naus fenícias vindas do Mediterrâneo haviam entrado a foz do Ana até onde a maré dava acesso e pretendiam fundar uma feitoria comercial. 

Ledo e confiante foi-lhes ao encontro. Estudaram o sítio e acordaram em que seria construída nova cidade fortificada no cimo de alto e escarpado morro a cair abrupto sobre ao margens do Ana e na confluência do rio Rochoso com estes. A região é áspera, escalvada, cálida e pronta a boa defesa. A povoação ficaria dependurada de escarpas quase abruptas e de difícil acesso ao inimigo. 

Como foram os Fenícios que quiseram construir a povoação deram-lhe o nome de Mírtilis (Mértola) por ser dedicada à sua principal divindade - Mirto.

Nessas primeiras naus vinha o príncipe fenício Polípio, espírito navegador e sedento de aventuras, homem do mar e esforçado guerreiro.

E se este se apaixonasse por sua filha Serpínia e assim acordassem numa aliança de mútuo auxílio e defesa? Pensava Cófilas.

Nesta esperança convidou-o a visitar Serpe.

Não se enganara.

Quando Polípio viu Serpínia, disse, surpreendido, para Cófilas:

- Aquilo é mulher ou deusa?

- Se a quiseres, pode ser para ti!... - foi a resposta.

O príncipe aceitou a proposta. Estava diante duma beldade como outra não tinha encontrado nas terras misteriosas do sol nascente. Aqueles olhos castanhos e vivos eram ímans que atraíam; aqueles cabelos loiros eram cadeias que prendiam. 

Serpínia afinava pelo mesmo diapasão. Polípio agradou-lhe à primeira vista e viu nele um príncipe encantado das terras orientais. Foi chamado ao palácio o sacerdote de Eliote para assistir ao contrato dos esponsais. Este então recordou a Cófilas:

- Lembras-te do sonho que tiveste a primeira noite que dormiste nesta terra que o destino nos reservou? Aqui tens a sua confirmação. O ocidente e o oriente juntaram-se sob as bênçãos de Eliote.

Cófilas e Polípio firmaram um tratado de amizade e mútua defesa. Além do casamento com Serpínia estipulou-se que os fenícios estabelecessem uma feitoria comercial em Mírtilis. 

Nesse porto ficariam sempre equipados com homens e material dois navios fenícios que ao mesmo tempo patrulhariam o litoral da Turdetânia, pelo menos enquanto o perigo não passasse. Em caso de guerra com qualquer adversário cada um dos contratantes prestaria mútuo auxilio.

Outrosim era estabelecida em Mírtilis uma escola naval onde os túrdelos aprenderiam dos fenícios a arte de navegar, e de se familiarizarem com as ondas. Assim, à face de tal acordo ficavam inteiramente frustrados os intentos imperialistas do chefe celta Rolarte, e a linda Serpínia ficava liberta do seu mais terrível pesadelo.

Texto de: domínio geral.
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Mértola _ Nomes Falas & Lendas


MYRTILIS ou NOVA TIRO - nome dado, provavelmente, pelos Fenícios "que aqui se homiziaram quando Alexandre Magno (356 - 323 a. C.) Rei da Macedónia, o grande conquistador, conquistou TIRO (333 / 332 a. C.)..."
ou MIRTILIS «Cófilas, Rei dos Túrdulos,  fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele porto, construíram uma cidade a que deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.» ver LENDAS
«Em um dos barcos (fenícios) vinha um Príncipe, jovem , guerreiro e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.»

MYRTILUS - aparece nos dicionários de Latim como MÍRTILO, filho de Mercúrio... A mãe terá sido a Deusa MIRTO...
... ora, nas diversas bibliografias consultadas e apesar de sabermos que os Deuses do Olimpo eram pródigos em arranajar várias esposas ou amantes a exemplo do grande Jupiter ou Zeus, não encontrámos uma Deusa ou esposa de Mercúrio com o nome de MIRTO...

... mas encontrámos a Deusa que tem o MIRTO como árvore - símbolo ou consagrada
é a Deusa AFRODITE (VÉNUS)
- a Deusa do Amor e da Beleza
que a todos seduzia.
... e que, na grande maioria das histórias,
surge como mulher de HEFASTO (VULCANO)
o Deus da Forja, disforme e coxo...
(vide in a «Mitologia», de Edith HAMILTON, Dom Quixote, Lisboa, 1979)

Ora Mírtilo, foi inexplicavelmente morto por PÉLOPE, o filho de TÂNTALO...

MÍRTILO
A lenda pode contar-se assim...

TÂNTALO
TÂNTALO, Rei da Lída, filho de Júpiter ou ZEUS e da ninfa Plota, tinha um lugar privilegiado entre os Deuses do Olimpo... 
Era convidado para os seus banquetes onde podia saborear a comida e a bebida própria dos Deuses, como a ambrosia e os néctares mais delicados, desconhecidos dos pobres mortais, como se dava ao luxo de poder convidar os Imortais para os seus banquetes no seu palácio deslumbrante...
Um dia, do que é que se havia de lembrar?
Tântalo mandou matar o seu próprio filho, Pélope, ordenou que fosse cozinhado num grande caldeirão e serviu-o de refeição aos seus convidados do Olimpo...
Que motivo o terá levado a tão hediondo gesto é um mistério para os poetas e historiadores!
Talvez o ódio e a revolta que sentia por estes seres que se consideravam superiores, para os obrigar a sentir o horror do canibalismo!
Que ingenuidade o levou a escarnecer, desta maneira, dos Deuses que tudo sabem, a ponto de sacrificar o seu próprio filho?!
Os Senhores do Olimpo tinham que decidir um castigo exemplar, para que nunca mais, ninguém ousasse insultá-los de novo:
Foi decidido o conhecido
SUPLÍCIO de TÂNTALO:
Foi lançado num poço, o Hades o inferno, mas, surpreendentemente, num Jardim maravilhoso onde corria abundantemente a água e abundavam todas as árvores de fruto, mas...
cada vez que esticava a mão para beber, a água sumia-se...
cada vez que esticava o braço para um fruto, o vento levava os ramos das árvores para longe, fora do seu alcance...
e, ali está, para a eternidade, morto de sede, à beira da água que se some...
ali está, morto de fome, à vista de uma abundância indescrítível, que se lhe escapa...
PÉLOPE
Além deste castigo exemplar, para que fosse reposta a Justiça, os Deuses do Olimpo, enternecidos, decidiram restituir a vida a Pélope...
Pélope foi reconstruído, mas tiveram de lhe moldar um ombro de marfim! Conta-se que, inadevertidamente, uma das Deusas presentes no macabro banquete, uns dizem que foi Deméter, outros garantem que foi Tétis, não teria resistido ao aspecto agradável daquele saboroso hediondo manjar...
Mas, contam as Lendas, a vida de Pélope correu daí em diante sem incidentes de maior. Teria sido o único descendente de Tântalo que não foi marcado pelo infortúnio, que se abateu de uma maneira impiedosa, por exemplo, sobre a sua irmã NIOBE...

NIOBE
Niobe, a que tudo teve para ser feliz...
Fez um casamento feliz com Anfião o Rei de Tebas...
Foi rainha querida de todos os súbditos...
Teve sete filhos que se tornaram jovens valentes e destemidos...
Teve sete filhas, que se tornaram as mais belas entre as belas...
O seu marido Anfião e seu irmão gémeo Zeto empreenderam a fortificação de Tebas...
O seu marido, músico de eleição, suplantou a força colossal do irmão, arrancando, com a sua lira, sons tão arrebatadores, que as grandes pedras o seguiram para a construção das muralhas de Tebas...
No meio de tanta prosperidade e felicidade decidiu, como seu pai Tântalo, desafiar os Deuses e exigiu do Povo de Tebas as honrarias e o incenso que queimavam no templo de Leto, a mãe de Apolo e Artemisa, em Delos!!!
Ora, como a arrogância e a insolência é imediatamente reconhecida no Olimpo e nunca deixam de ser punidas, Apolo (Febo) e Artemisa (Diana) deslizaram rapidamente dos seus tronos celestiais e, ao mesmo tempo, o Deus do Arco de Prata e da Flecha de longo alcance e a Divina Caçadora, desceram a Tebas e, com pontaria infalível, abateram, sem piedade, os filhos e filhas de Niobe, um dos motivos da sua arrogância perante a rival que só tinha tido dois filhos!!!
Atingida por aquela dor inenarrável, Niobe desfez-se em lágrimas mudas incapazes de um grito, e transformou-se em pedra, que ficou humida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar...

MÍRTILO

Mas seu irmão Pélope, o ressuscitado, foi mais feliz...
Cortejou entretanto a fatídica princesa Hipodamia, que foi causa de muitas mortes, talvez não por ela, mas pelo artifício engendrado pelo Rei seu pai, - ENOMÃO ou ENOMAU, que obrigava os pretendentes a prestarem uma prova insuperável...
Como não queria que a filha se casasse, propunha aos pretendentes uma corrida com a sua de parelhas de cavalos.
Se ganhassem, teriam a mão da sua filha...
Se perdessem, pagariam com a morte...
A parelha de cavalos do rei, oferta de Ares, era, evidentemente superior a qualquer parelha de cavalos mortais!...
E assim muitos perderam a vida...
Quando chegou a vez de Pélope, este aceitou o desafio, porque a sua parelha de cavalos tinha sido um presente de Poseídon, e por isso confiava na sua superioridade, mas...
Conta outra Lenda, que ele terá vencido e conquistado a mão da princesa, porque Hipodamia, apaixonada por ele, ou decidida a acabar com aquele terrível massacre, teria subornado MÍRTILO, o cocheiro do seu pai, ...
MÍRTILO, (filho de Mercúrio e Mirto), para agradar à princesa, terá engendrado uma maneira de os raios das rodas do carro real se partirem durante a corrida... e assim a vitória coube, sem dificuldade, a Pélope...
Por motivos insondáveis, que só acontecem no reino da Lendas e dos Deuses, mais tarde, Pélope, em vez da eterna gratidão, veio a matar Mírtilo, que, ao expirar, amaldiçoou o assassino...
Não foi sobre Pélope, directamente, que caiu a maldição, mas ele teve dois filhos:
Atreu e Tiestes...
Foram estes e os seus descendentes que pagaram pelo crime do pai...
Atreu era o rei...
Tiestes apaixonou-se pela Rainha, a esposa do irmão e seduziu-a...
O Rei descobriu, claro, e concebeu uma vingança hedionda e inenarrável...
Matou os dois filhinhos do irmão e mandou serví-los ao pai partidos em bocadinhos...
e Tiestes comeu...
Ao descobrir a verdade Tiestes gritou até à loucura... cuspiu e vomitou até ao desespero... amaldiçoou aquela casa para que sobre ela caíssem todos os male inimagináveis... e, com a mesa do banquete, ficou esmagado contra o chão...
O crime atroz não foi divulgado nem vingado durante o reinado do soberano...
Atreu, o filho mais velho de Pélope, assassino de Mírtilis, era Rei e Tiestes não tinha poderes!!!
Foram os filhos e os filhos dos filhos que vieram a pagar...

MÉRTOLA & MÍRTILO

É, possivelmente, assim, que Mértola, a cidade das encruzilhadas que se ergue entre-ambas-as-águas e foi porto importante de ligação ao mar está ligada à MITOLOGIA Greco-Latina:

- a MÍRTILO, filho da Deusa do Mirto, morto por aquele a quem ajudou a ganhar a corrida e a mão da princesa...
- a VÉNUS dos Romanos - a AFRODITE dos Gregos... a Deusa que tem o MIRTO como árvore consagrada... e a quem os Fenícios , fundadores da Cidade no porto do Ode Ana, deram o nome de Myrtilis, em homenagem à sua Mãe a Deusa (do) MIRTO...
- e quem sabe às terríveis pragas que pesam sobre o hediondo crime de TÂNTALO... castigado pelo suplício de ter tudo ao alcance da mão sem o poder usar...
- ao castigo dos artifícios do pai da Princesa HIPODAMIA, ENOMAU, que causou a morte de tantos jovens pretendentes à mão da Bela Princesa...,
- e ao crime do seu marido Pélope, assassino de MÍRTILO!!!..
- e ao castigo de NIOBE? ... Não será MÉRTOLA o ROCHEDO - a PEDRA em que ELA se transformou e que ficou húmida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar... simbolizado no "esporão rochoso" em que a VILA se ergue ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUA, que correm sem parar o RIO - ODE ANA e a ribeira de OEIRAS?...

São LENDAS - divagações, podem dizer os Estudiosos sisudos que dedicam a vida na tentativa de saber os segredos do Universo...
São LENDAS - verdades possivelmente ocultas para reflectir e descobrir, podem dizer os Sábios que se dedicam a descobrir os segredos do Universo e as Leis da Natureza e do Cosmos...
São LENDAS que servem para alimentar a inspiração dos Poetas e que o Povo, na sua generosa ingenuidade, se gosta e lhe reconhece algum valor, vai repetindo e reinventando ao longo dos Tempos...
São LENDAS que talvez abram pistas para perceber uma espécie de "maldição" ou "fado" ou "fardo" que pesa sobre Mértola e o Alentejo em geral e está "escrito" nas LENDAS ou nas "estrelas", mas que seria preciso saber e perceber para não se ficar amarrado a um fatalismo sem esperança!...
Aí fica
para os circunspectos Estudiosos...
para os Sábios ignorados e desprezados pela Ciência cega...
para os Poetas visionários...
para a ingénua generosidade do Povo...
para os que têm a responsabilidade de SABER para poderem decidir e governar...

Este último texto a partir de: www.joraga.net/mertola/pags/10nominalia.htm

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Foi-se o Verão...


...ficou a sua colorida recordação!

Era para ter feito esta partilha no dia de ontem (21), mas mais uma vez ando com a disponibilidade para a fotografia muito limitada. De qualquer modo e a partir desta partilha agradeço a disponibilidade, a simpatia e a generosidade das minhas amizades para comigo, com desde já meu desejo dum bom fim-de-semana e por inerência do final do Verão também dum bom Outono, para toda/os e cada qual!

VB

Estacionamento II...


...com ponto de fixação!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Luz e cor...I


Circunstancialmente até que não tinha nada preparado para publicar nesta Segunda-feira, início de semana, inclusive comecei a responder aos comentários que tinha aqui pendentes a pensar não publicar nada hoje. Mas por influência duma "complexa"(:D) troca de relativamente extensos comentários com a estimável amiga Céu, acabei mesmo por ir repescar uma foto que tinha "perdida" nos rascunhos aqui do blogue desde há muito,  até enquanto ilustrativa foto, por assim dizer, de boas vindas no meu G+. No caso uma foto que vem na mesma sequência da outra foto titulada "Luz e cor..." que postei há quatro dias aqui no blog, mas agora já intercaladas de entre si por uma outra imediata foto titulada "..do mar", com esta última bem distinta, quer na temática, quer no tratamento fotográfico face às duas restantes _ incluída a agora aqui presente. Como seja que mesmo que sem absoluto prejuízo disso acontecer, quando natural ou objectivamente tiver de acontecer, como de resto já aconteceu alguma que outra vez, designadamente no recente caso das fotos a aludir às tradições em decadência e a necessitar preservação; mas a partir de que o facto é que regra geral e até pela minha introdução ao blog, diria que não tenho propriamente o propósito de seguir uma coerente linha de publicações a abordar sucessivamente um mesmo tema ou um mesmo estilo fotográfico. Até porque sou um mero amador, que fotografo mais vezes o que tenho oportunidade do que o que e como gostaria em objectivo de fotografar, independentemente de eu não desgostar em absoluto do que, quando e como a fortuita oportunidade me proporciona, bem pelo contrário, ainda que pelo melhor e pelo pior não seja a mesma coisa! 

Mas enfim e sem mais delongas, acima de tudo com prioritário e particular desejo de boa semana aos meus mais amigáveis ciclos aqui no blogue, deixo então a foto acima, que tenho exposta em primeiro plano no G+ desde há muito, também em honra de quem lá me acompanha, que enquanto tal creio não desmerecer partilhá-la agora aqui no blogue!

VB

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Luz e cor...


...a cor nem sempre é presença necessária ou indispensável, já a luz é a incontornável essência da fotografia, em certos casos as duas (cor e luz) juntas são um par perfeito!