domingo, 24 de setembro de 2017

Contributo para as Lendas de Portugal... Mírtilis - Mértola

                                               Foto de: Victor Barão | Fotografia

Uma aliança com os Fenícios - nasce Mírtilis

Cófilas domina já toda a vasta região da bacia do Ana e daqui até ao Atlântico. Gês e Serpe são os dois pontos concêntricos de maior população e os dois mais fortes baluartes de defesa. Ele sabia, porém, que Rolarte, seu inimigo figadal rondava, como abutre de garras aduncas, suas fronteiras e não perdoaria a Serpínia tê-lo preterido no amor. Mais tarde ou mais cedo ele voltaria à carga, viria incomodá-lo de novo e por isso havia que prevenir tudo. Começara, pois, a construir novos aldeamentos, novos castros, pontos de defesa e muitas vias de comunicação. A terra era muito plana mas de difíceis possibilidades de comunicação. No Verão, muito pó; no Inverno, caminhos lamacentos em que o barro atolava e pegava tudo por causa da sua constituição argilosa. 

Neste entrementes Cófilas soube que umas naus fenícias vindas do Mediterrâneo haviam entrado a foz do Ana até onde a maré dava acesso e pretendiam fundar uma feitoria comercial. 

Ledo e confiante foi-lhes ao encontro. Estudaram o sítio e acordaram em que seria construída nova cidade fortificada no cimo de alto e escarpado morro a cair abrupto sobre ao margens do Ana e na confluência do rio Rochoso com estes. A região é áspera, escalvada, cálida e pronta a boa defesa. A povoação ficaria dependurada de escarpas quase abruptas e de difícil acesso ao inimigo. 

Como foram os Fenícios que quiseram construir a povoação deram-lhe o nome de Mírtilis (Mértola) por ser dedicada à sua principal divindade - Mirto.

Nessas primeiras naus vinha o príncipe fenício Polípio, espírito navegador e sedento de aventuras, homem do mar e esforçado guerreiro.

E se este se apaixonasse por sua filha Serpínia e assim acordassem numa aliança de mútuo auxílio e defesa? Pensava Cófilas.

Nesta esperança convidou-o a visitar Serpe.

Não se enganara.

Quando Polípio viu Serpínia, disse, surpreendido, para Cófilas:

- Aquilo é mulher ou deusa?

- Se a quiseres, pode ser para ti!... - foi a resposta.

O príncipe aceitou a proposta. Estava diante duma beldade como outra não tinha encontrado nas terras misteriosas do sol nascente. Aqueles olhos castanhos e vivos eram ímans que atraíam; aqueles cabelos loiros eram cadeias que prendiam. 

Serpínia afinava pelo mesmo diapasão. Polípio agradou-lhe à primeira vista e viu nele um príncipe encantado das terras orientais. Foi chamado ao palácio o sacerdote de Eliote para assistir ao contrato dos esponsais. Este então recordou a Cófilas:

- Lembras-te do sonho que tiveste a primeira noite que dormiste nesta terra que o destino nos reservou? Aqui tens a sua confirmação. O ocidente e o oriente juntaram-se sob as bênçãos de Eliote.

Cófilas e Polípio firmaram um tratado de amizade e mútua defesa. Além do casamento com Serpínia estipulou-se que os fenícios estabelecessem uma feitoria comercial em Mírtilis. 

Nesse porto ficariam sempre equipados com homens e material dois navios fenícios que ao mesmo tempo patrulhariam o litoral da Turdetânia, pelo menos enquanto o perigo não passasse. Em caso de guerra com qualquer adversário cada um dos contratantes prestaria mútuo auxilio.

Outrosim era estabelecida em Mírtilis uma escola naval onde os túrdelos aprenderiam dos fenícios a arte de navegar, e de se familiarizarem com as ondas. Assim, à face de tal acordo ficavam inteiramente frustrados os intentos imperialistas do chefe celta Rolarte, e a linda Serpínia ficava liberta do seu mais terrível pesadelo.

Texto de: domínio geral.
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Mértola _ Nomes Falas & Lendas


MYRTILIS ou NOVA TIRO - nome dado, provavelmente, pelos Fenícios "que aqui se homiziaram quando Alexandre Magno (356 - 323 a. C.) Rei da Macedónia, o grande conquistador, conquistou TIRO (333 / 332 a. C.)..."
ou MIRTILIS «Cófilas, Rei dos Túrdulos,  fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele porto, construíram uma cidade a que deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.» ver LENDAS
«Em um dos barcos (fenícios) vinha um Príncipe, jovem , guerreiro e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.»

MYRTILUS - aparece nos dicionários de Latim como MÍRTILO, filho de Mercúrio... A mãe terá sido a Deusa MIRTO...
... ora, nas diversas bibliografias consultadas e apesar de sabermos que os Deuses do Olimpo eram pródigos em arranajar várias esposas ou amantes a exemplo do grande Jupiter ou Zeus, não encontrámos uma Deusa ou esposa de Mercúrio com o nome de MIRTO...

... mas encontrámos a Deusa que tem o MIRTO como árvore - símbolo ou consagrada
é a Deusa AFRODITE (VÉNUS)
- a Deusa do Amor e da Beleza
que a todos seduzia.
... e que, na grande maioria das histórias,
surge como mulher de HEFASTO (VULCANO)
o Deus da Forja, disforme e coxo...
(vide in a «Mitologia», de Edith HAMILTON, Dom Quixote, Lisboa, 1979)

Ora Mírtilo, foi inexplicavelmente morto por PÉLOPE, o filho de TÂNTALO...

MÍRTILO
A lenda pode contar-se assim...

TÂNTALO
TÂNTALO, Rei da Lída, filho de Júpiter ou ZEUS e da ninfa Plota, tinha um lugar privilegiado entre os Deuses do Olimpo... 
Era convidado para os seus banquetes onde podia saborear a comida e a bebida própria dos Deuses, como a ambrosia e os néctares mais delicados, desconhecidos dos pobres mortais, como se dava ao luxo de poder convidar os Imortais para os seus banquetes no seu palácio deslumbrante...
Um dia, do que é que se havia de lembrar?
Tântalo mandou matar o seu próprio filho, Pélope, ordenou que fosse cozinhado num grande caldeirão e serviu-o de refeição aos seus convidados do Olimpo...
Que motivo o terá levado a tão hediondo gesto é um mistério para os poetas e historiadores!
Talvez o ódio e a revolta que sentia por estes seres que se consideravam superiores, para os obrigar a sentir o horror do canibalismo!
Que ingenuidade o levou a escarnecer, desta maneira, dos Deuses que tudo sabem, a ponto de sacrificar o seu próprio filho?!
Os Senhores do Olimpo tinham que decidir um castigo exemplar, para que nunca mais, ninguém ousasse insultá-los de novo:
Foi decidido o conhecido
SUPLÍCIO de TÂNTALO:
Foi lançado num poço, o Hades o inferno, mas, surpreendentemente, num Jardim maravilhoso onde corria abundantemente a água e abundavam todas as árvores de fruto, mas...
cada vez que esticava a mão para beber, a água sumia-se...
cada vez que esticava o braço para um fruto, o vento levava os ramos das árvores para longe, fora do seu alcance...
e, ali está, para a eternidade, morto de sede, à beira da água que se some...
ali está, morto de fome, à vista de uma abundância indescrítível, que se lhe escapa...
PÉLOPE
Além deste castigo exemplar, para que fosse reposta a Justiça, os Deuses do Olimpo, enternecidos, decidiram restituir a vida a Pélope...
Pélope foi reconstruído, mas tiveram de lhe moldar um ombro de marfim! Conta-se que, inadevertidamente, uma das Deusas presentes no macabro banquete, uns dizem que foi Deméter, outros garantem que foi Tétis, não teria resistido ao aspecto agradável daquele saboroso hediondo manjar...
Mas, contam as Lendas, a vida de Pélope correu daí em diante sem incidentes de maior. Teria sido o único descendente de Tântalo que não foi marcado pelo infortúnio, que se abateu de uma maneira impiedosa, por exemplo, sobre a sua irmã NIOBE...

NIOBE
Niobe, a que tudo teve para ser feliz...
Fez um casamento feliz com Anfião o Rei de Tebas...
Foi rainha querida de todos os súbditos...
Teve sete filhos que se tornaram jovens valentes e destemidos...
Teve sete filhas, que se tornaram as mais belas entre as belas...
O seu marido Anfião e seu irmão gémeo Zeto empreenderam a fortificação de Tebas...
O seu marido, músico de eleição, suplantou a força colossal do irmão, arrancando, com a sua lira, sons tão arrebatadores, que as grandes pedras o seguiram para a construção das muralhas de Tebas...
No meio de tanta prosperidade e felicidade decidiu, como seu pai Tântalo, desafiar os Deuses e exigiu do Povo de Tebas as honrarias e o incenso que queimavam no templo de Leto, a mãe de Apolo e Artemisa, em Delos!!!
Ora, como a arrogância e a insolência é imediatamente reconhecida no Olimpo e nunca deixam de ser punidas, Apolo (Febo) e Artemisa (Diana) deslizaram rapidamente dos seus tronos celestiais e, ao mesmo tempo, o Deus do Arco de Prata e da Flecha de longo alcance e a Divina Caçadora, desceram a Tebas e, com pontaria infalível, abateram, sem piedade, os filhos e filhas de Niobe, um dos motivos da sua arrogância perante a rival que só tinha tido dois filhos!!!
Atingida por aquela dor inenarrável, Niobe desfez-se em lágrimas mudas incapazes de um grito, e transformou-se em pedra, que ficou humida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar...

MÍRTILO

Mas seu irmão Pélope, o ressuscitado, foi mais feliz...
Cortejou entretanto a fatídica princesa Hipodamia, que foi causa de muitas mortes, talvez não por ela, mas pelo artifício engendrado pelo Rei seu pai, - ENOMÃO ou ENOMAU, que obrigava os pretendentes a prestarem uma prova insuperável...
Como não queria que a filha se casasse, propunha aos pretendentes uma corrida com a sua de parelhas de cavalos.
Se ganhassem, teriam a mão da sua filha...
Se perdessem, pagariam com a morte...
A parelha de cavalos do rei, oferta de Ares, era, evidentemente superior a qualquer parelha de cavalos mortais!...
E assim muitos perderam a vida...
Quando chegou a vez de Pélope, este aceitou o desafio, porque a sua parelha de cavalos tinha sido um presente de Poseídon, e por isso confiava na sua superioridade, mas...
Conta outra Lenda, que ele terá vencido e conquistado a mão da princesa, porque Hipodamia, apaixonada por ele, ou decidida a acabar com aquele terrível massacre, teria subornado MÍRTILO, o cocheiro do seu pai, ...
MÍRTILO, (filho de Mercúrio e Mirto), para agradar à princesa, terá engendrado uma maneira de os raios das rodas do carro real se partirem durante a corrida... e assim a vitória coube, sem dificuldade, a Pélope...
Por motivos insondáveis, que só acontecem no reino da Lendas e dos Deuses, mais tarde, Pélope, em vez da eterna gratidão, veio a matar Mírtilo, que, ao expirar, amaldiçoou o assassino...
Não foi sobre Pélope, directamente, que caiu a maldição, mas ele teve dois filhos:
Atreu e Tiestes...
Foram estes e os seus descendentes que pagaram pelo crime do pai...
Atreu era o rei...
Tiestes apaixonou-se pela Rainha, a esposa do irmão e seduziu-a...
O Rei descobriu, claro, e concebeu uma vingança hedionda e inenarrável...
Matou os dois filhinhos do irmão e mandou serví-los ao pai partidos em bocadinhos...
e Tiestes comeu...
Ao descobrir a verdade Tiestes gritou até à loucura... cuspiu e vomitou até ao desespero... amaldiçoou aquela casa para que sobre ela caíssem todos os male inimagináveis... e, com a mesa do banquete, ficou esmagado contra o chão...
O crime atroz não foi divulgado nem vingado durante o reinado do soberano...
Atreu, o filho mais velho de Pélope, assassino de Mírtilis, era Rei e Tiestes não tinha poderes!!!
Foram os filhos e os filhos dos filhos que vieram a pagar...

MÉRTOLA & MÍRTILO

É, possivelmente, assim, que Mértola, a cidade das encruzilhadas que se ergue entre-ambas-as-águas e foi porto importante de ligação ao mar está ligada à MITOLOGIA Greco-Latina:

- a MÍRTILO, filho da Deusa do Mirto, morto por aquele a quem ajudou a ganhar a corrida e a mão da princesa...
- a VÉNUS dos Romanos - a AFRODITE dos Gregos... a Deusa que tem o MIRTO como árvore consagrada... e a quem os Fenícios , fundadores da Cidade no porto do Ode Ana, deram o nome de Myrtilis, em homenagem à sua Mãe a Deusa (do) MIRTO...
- e quem sabe às terríveis pragas que pesam sobre o hediondo crime de TÂNTALO... castigado pelo suplício de ter tudo ao alcance da mão sem o poder usar...
- ao castigo dos artifícios do pai da Princesa HIPODAMIA, ENOMAU, que causou a morte de tantos jovens pretendentes à mão da Bela Princesa...,
- e ao crime do seu marido Pélope, assassino de MÍRTILO!!!..
- e ao castigo de NIOBE? ... Não será MÉRTOLA o ROCHEDO - a PEDRA em que ELA se transformou e que ficou húmida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar... simbolizado no "esporão rochoso" em que a VILA se ergue ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUA, que correm sem parar o RIO - ODE ANA e a ribeira de OEIRAS?...

São LENDAS - divagações, podem dizer os Estudiosos sisudos que dedicam a vida na tentativa de saber os segredos do Universo...
São LENDAS - verdades possivelmente ocultas para reflectir e descobrir, podem dizer os Sábios que se dedicam a descobrir os segredos do Universo e as Leis da Natureza e do Cosmos...
São LENDAS que servem para alimentar a inspiração dos Poetas e que o Povo, na sua generosa ingenuidade, se gosta e lhe reconhece algum valor, vai repetindo e reinventando ao longo dos Tempos...
São LENDAS que talvez abram pistas para perceber uma espécie de "maldição" ou "fado" ou "fardo" que pesa sobre Mértola e o Alentejo em geral e está "escrito" nas LENDAS ou nas "estrelas", mas que seria preciso saber e perceber para não se ficar amarrado a um fatalismo sem esperança!...
Aí fica
para os circunspectos Estudiosos...
para os Sábios ignorados e desprezados pela Ciência cega...
para os Poetas visionários...
para a ingénua generosidade do Povo...
para os que têm a responsabilidade de SABER para poderem decidir e governar...

Este último texto a partir de: www.joraga.net/mertola/pags/10nominalia.htm

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Foi-se o Verão...


...ficou a sua colorida recordação!

Era para ter feito esta partilha no dia de ontem (21), mas mais uma vez ando com a disponibilidade para a fotografia muito limitada. De qualquer modo e a partir desta partilha agradeço a disponibilidade, a simpatia e a generosidade das minhas amizades para comigo, com desde já meu desejo dum bom fim-de-semana e por inerência do final do Verão também dum bom Outono, para toda/os e cada qual!

VB

Estacionamento II...


...com ponto de fixação!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Luz e cor...I


Circunstancialmente até que não tinha nada preparado para publicar nesta Segunda-feira, início de semana, inclusive comecei a responder aos comentários que tinha aqui pendentes a pensar não publicar nada hoje. Mas por influência duma "complexa"(:D) troca de relativamente extensos comentários com a estimável amiga Céu, acabei mesmo por ir repescar uma foto que tinha "perdida" nos rascunhos aqui do blogue desde há muito,  até enquanto ilustrativa foto, por assim dizer, de boas vindas no meu G+. No caso uma foto que vem na mesma sequência da outra foto titulada "Luz e cor..." que postei há quatro dias aqui no blog, mas agora já intercaladas de entre si por uma outra imediata foto titulada "..do mar", com esta última bem distinta, quer na temática, quer no tratamento fotográfico face às duas restantes _ incluída a agora aqui presente. Como seja que mesmo que sem absoluto prejuízo disso acontecer, quando natural ou objectivamente tiver de acontecer, como de resto já aconteceu alguma que outra vez, designadamente no recente caso das fotos a aludir às tradições em decadência e a necessitar preservação; mas a partir de que o facto é que regra geral e até pela minha introdução ao blog, diria que não tenho propriamente o propósito de seguir uma coerente linha de publicações a abordar sucessivamente um mesmo tema ou um mesmo estilo fotográfico. Até porque sou um mero amador, que fotografo mais vezes o que tenho oportunidade do que o que e como gostaria em objectivo de fotografar, independentemente de eu não desgostar em absoluto do que, quando e como a fortuita oportunidade me proporciona, bem pelo contrário, ainda que pelo melhor e pelo pior não seja a mesma coisa! 

Mas enfim e sem mais delongas, acima de tudo com prioritário e particular desejo de boa semana aos meus mais amigáveis ciclos aqui no blogue, deixo então a foto acima, que tenho exposta em primeiro plano no G+ desde há muito, também em honra de quem lá me acompanha, que enquanto tal creio não desmerecer partilhá-la agora aqui no blogue!

VB

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Luz e cor...


...a cor nem sempre é presença necessária ou indispensável, já a luz é a incontornável essência da fotografia, em certos casos as duas (cor e luz) juntas são um par perfeito!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

FADO



Raquel Tavares: uma voz brilhante; uma personalidade incrível; um ser cativante; uma mulher fascinante _ creio que daquelas que ou se adoram ou se detestam, porque não tem "papas na língua", nem a cantar nem a conversar!

Eu adoro a artista/cantora e admiro a pessoa/mulher. 

VB

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Série cadeados do amor _ resistir a tudo!



A versão a preto e branco está com efeito arrastado, arranhado e corroído, não só porque com relativa frequência o Amor passa por várias e sucessivas provações, bem como estes mesmos respectivos cadeados do amor estão sujeitos a diversas provações, desde logo aos elementos naturais, mas também a alguma resistência humana aos mesmos, por exemplo enquanto eu fotografava os cadeados que me pareceram mais interessantes; de entre as diversas pessoas que passavam, a determinado momento passou um senhor, acompanhado por um jovem que imagino seu filho, tendo esse senhor ao reparar que eu fotografava os cadeados parado e dito algo rudemente para o jovem que o acompanhava, mas acima de tudo para que eu ouvisse: _ "um destes dias os funcionários da câmara vêm aí e cortam essa ...tralha... toda". 

A versão colorida, salvo uma leve edição é basicamente fiel à versão original. Que neste caso introduzi aqui em tamanho mais reduzido e mas com natural possibilidade de ampliação, confesso que também a pensar na possibilidade da estimada Luisa se poder interessar para com o muito meritório pinta-amores.blogspot.com/ _ a visitar em todo o caso!...

VB 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Abstracção


...há já umas duas semanas que editei _ afinei contraste, luz e converti de cor para preto e branco _ uma foto para publicar aqui. Inclusive uma foto com boa definição. Mas após o que ainda que não estando eu de todo insatisfeito com a foto, sob vários aspectos até bem pelo contrário, no entanto sempre me faltou algo para sentir segurança de a publicar aqui, pelo que hoje voltei à mesma e passadas várias tentativas de editá-la neste ou naquele outro sentido, no caso acabei por convertê-la na abstracção que se pode constar, que ao menos em significativa medida me agradou a mim a ponto de finalmente a estar a publicar, não na sua objectiva definição original, mas pela abstracção dai derivada. Só podendo esperar que quem veja possa sentir-se dalguma satisfatória ou consequente forma tocada/o pela mesma, pois caso contrário resta-me pedir perdão por ter feito uma foto só por e para meu belo prazer recreativo próprio!  

Com adeus a Agosto e boa-vinda a Setembro

VB

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Amor à beira rio

Tradição que se extingue... (I)

Sr.º Diamantino

Sr.º Manuel Gomes

...versão masculina, que ao nível de tradição em decadência se aplica basicamente o mesmo que ao anterior caso na vertente feminina. Com particular ressalva para o facto de que aqui partilho duas fotos personalizadas dos dois artesãos masculinos, incluindo o nome próprio dos respectivos, o que só acontece porque por um mero acaso, derivado de transacção comercial, terminou levando-me a estar mais tempo à conversa com estes do que com as senhoras dos bordados e dai que acabou também por se proporcionar esta acrescida individualização, sem nenhuma outra relevância, como designadamente sexista.

domingo, 27 de agosto de 2017

Tradição que se extingue...


...esta foto sem grande resolução pretende ser documental face à eventual derradeira resistência duma arte tradicional, em convívio, que aquando da minha infância era tida como um dado adquirido _ estou a ficar velho :/_, mas que cada vez mais já só se vê em feiras de artesanato e pela mão de senhoras como as aqui retratadas que continuam a dar resistente expressão à mesma, precisamente mais como uma curiosidade em vias de extinção do que como uma actividade viva e com futuro.

E ainda que eu tenha boas recordações da minha infância, desde logo coincidente com a época em que este didáctico e não raro prazeroso convívio, no caso concreto de entre o género feminino, era norma adquirida. No entanto não sou propriamente um saudosista, até porque se a vida nuns casos e respectivos aspectos evolui para pior, noutros evolui para melhor, desde logo e por si só o género feminino fez conquistas nas últimas décadas que no geral se podem considerar positivamente para melhor ou mesmo para muito melhor; mas de entre o que o caso aqui retratado não deixou jamais de ser muito positivamente digno e até inspirador por si só, independentemente da época e das evoluções socioculturais inerentes, pelo que se a época corrente e com projecção futura já não demanda este tipo de presencial convívio e respectiva arte tradicional derivada, tão pouco invalida que se documente e recorde o/a mesmo/a, inclusive como ainda minimamente resistente.

De resto outro tipo de convívios e respectivas artes derivadas se impõem e/ou imporão de futuro, senão presencial ao menos virtualmente!

VB     

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

...

Momento de paixão...


Vou contar uma "pequena" história subjacente à foto aqui em causa, como meio e forma de dar a entender que se a cena que a foto retrata à partida só deveria mesmo ter mero interesse fotográfico, no entanto por uma oportuna coincidência do destino posso dizer que captei uma foto que inclui como fundamental ponto de interesse não só a silhueta duma esbelta jovem rapariga num belo quadro envolvente, como também duma esbelta jovem rapariga num momento de, no mínimo aparente, plena paixão no ar de entre a própria e um jovem da sua respectiva faixa etária, que neste último caso não aparece na foto, mas que se encontrava a umas escassas dezenas de metros na margem do leito fluvial. Enquanto apaixonada sequência de que passei a aperceber-me, inclusive para além do que me interessava, precisamente enquanto fazia a sequência de pouco mais de meia dúzia de fotos que oportuna e circunstancialmente me foi permitido fazer e de que cuja foto aqui exposta foi a penúltima e no caso a que conclui como melhor das mesmas. Mas entretanto a história é a seguinte:

Quando cheguei ao local, deparei-me basicamente com a cena retratada, salvo que a rapariga retratada em silhueta, no primeiro momento em que a vi enquadrada no global contexto envolvente e tal como se pode constatar na foto, incluiu o intermédio facto de que enquanto eu retirava a máquina fotográfica da bolsa e me aproximava na expectativa de encontrar um ângulo ideal para a fotografar no atraente contexto envolvente e a que a sua presença conferia o mais sublime toque de atractividade, eis que de entre meio a mesma recostou-se para trás deitando-se sobre o cais móvel, perdendo como tal, em muito significativa medida, o interesse fotográfico _ ao menos do ponto e da perspectiva em que eu me encontrava. Restava-me então esperar que a jovem rapariga não se mantivesse muito tempo na posição de deitada, até porque eu mesmo dirigia-me em sua direcção através dum acesso de não corrente passagem de pessoas e em que estando eu também muito exposto, se como tal ficasse mais do que um certo tempo ali de máquina fotográfica na mão e a apontar para a jovem rapariga poderia dar a sensação de perseguição ou coisa que o valha. Mas que portando a máquina fotográfica comigo não resisti a começar a fotografar, mesmo enquanto caminhava e com a rapariga deitada, na esperança de que a mesma voltasse à posição de sentada tão breve quanto possível. E que precisamente após captar duas ou três primeiras fotos com a rapariga deitada, sem grande interesse enquanto tal, mas que me ia servindo para testar ângulos, leitura de luz, etc.; quando eis que não mais do que após um escasso minuto deitada a mesma se voltou a sentar, sempre comigo a aproximar-me um pouco mais do ponto onde a mesma se encontrava. Pelo que para não perder oportunidade, antes mesmo de me aproximar e/ou de me posicionar da forma mais fotograficamente interessante para mim, como que intuindo que a mesma poderia voltar a deitar-se ou se a caso a levantar-se continuei a disparar enquanto caminhava aproveitando precisamente agora já o facto da mesma se ter voltado a sentar, como eu desejava. Sequência esta de que resultou a foto aqui exposta, como penúltima duma sequência de sete fotos no total, com tudo dentro duma dinâmica do momento que não se fazia esperar e que precisamente enquanto eu fazia as três ou quatro ultimas fotos da sequência, incluída a foto acima, com a rapariga sentada de novo sozinha sobre o cais e em silêncio; eis no entanto que ao ter voltado a sentar-se, também a levou a dirigir-se por palavras a alguém na margem, irrompendo com a seguinte pergunta: _ “Já te vais embora?” tendo recebido como resposta duma voz masculina o seguinte: _ “Sim! Pois amanhã já tenho de estar em Lisboa e sigo viagem esta mesma tarde.” Apercebi-me então que quem respondia era um jovem semi-encoberto pelas copas das árvores face ao local onde eu me encontrava, reparando eu que dito jovem colocava às costas uma mochila e o que me pareceu ser uma grande prancha de windsurf, devidamente acondicionada em bolsa dedicada. A partir de que gerou-se um diálogo apaixonado sem grande discrição entre os jovens, como que numa emergente sequência em que parecia ter havido prévia e circunstancial interacção entre os mesmos, mas não a suficiente para sequer terem chegado a trocar contactos telefónicos ou electrónicos, quando de repente já o destino os estava a separar; mas não sem que antes e mesmo que indiscretamente o rapaz tenha perguntado à rapariga se ela tinha algum contacto electrónico ao que ela levantando-se e em passo de corrida dirigindo-se ao rapaz que se encontrava na margem, mas também numa certa apaixonada e imatura emergência, antes mesmo de chegar próxima do mesmo lhe disse tão indiscretamente quanto para que eu ou quem mais na proximidade ouvisse: _ “procura o nome…” tendo-lhe dito o que tudo leva a crer seria o seu nome e apelido próprios, com uma inicial de entremeio, o que em qualquer caso eu nem cheguei a fixar. Tal como não cheguei a fixar o que me pareceu ser a não menos indiscreta troca de referência do local de estudo de ambos os jovens. A partir de que então sim se aproximaram e passaram mais discreta e intimamente a trocar contactos, pelo menos o rapaz escrevia no seu telemóvel, já que a rapariga, talvez por ter saído dalgum imediato prévio mergulho, no momento parecia não estar na posse de qualquer meio onde anotar o que quer que fosse. E que tendo aquela apaixonada troca de contacto durado escassos momentos, sempre comigo a caminhar em frente coincidindo com ter de passar junto de onde se encontrava agora o jovem casal, não pude evitar aperceber-me que os mesmos se despediam com a rapariga a regressar de novo ao cais móvel onde momentos antes eu a fotografara como atractiva silhueta, enquanto o rapaz seguia em sentido inverso. Tendo agora a jovem rapariga de cruzar-se comigo, no seu percurso de volta ao cais, enquanto eu me afastaria do cais em sentido inverso ao seu; isto para dizer que no imediato momento prévio a cruzar-mo-nos não consegui evitar reparar que a rapariga seguia agora com um semi-sorriso no rosto, mas repentinamente parou mesmo quando praticamente a meu lado e baixando um pouco a cabeça reflexiva, creio ter metido um ou dois dedos na boca, como quem rói as unhas e auto concedendo-se um pequeno compasso de espera, começando eu já a deixá-la para trás, no entanto repentina e algo inesperadamente passou de novo ao meu lado já na mesma direcção em que eu ia e para onde escassos momentos antes se dirigira o rapaz, como seja em direcção inversa ao cais. Tendo-me então ultrapassado a rapariga apressada, enquanto eu que comecei a encontrar outros motivos de interesse, fiquei-me pelo caminho face ao imediato caminhar quer da rapariga quer do rapaz, no mínimo como aparentes agentes de pura paixão

No caso escusado será dizer que não voltei a ver o rapaz, já quanto à rapariga tão pouco sei se a voltei a ver no resto do tempo em que estive no local, não só porque o ponto para onde eu me dirigi havia muita gente e depois eu não reparei suficiente e especificamente na jovem rapariga, além de natural e genericamente ter reparado que era esbelta e atraente, como para de resto sequer saber se voltei a cruzar-me com a mesma nessa mesma tarde. Até porque o que entretanto mais me havia importando com relação à mesma havia sido sacar a foto da sua presença em contra luz, sobre aquele cais móvel, a que o subsequente apaixonado contexto apenas veio conferir acrescido interesse à própria foto. Até porque esta última foi concretizada precisamente no momento da primeira troca de, como mínimo aparentes, apaixonadas palavras de que me apercebi por parte da rapariga sentada sobre o cais para com o rapaz que se preparava para partir. Pelo que se a imagem captada não tiver suficiente interesse fotográfico, que então estas minhas palavras confiram ao menos suficiente interesse de apaixonado contexto à mesma!

VB

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Eclipse Solar




... sem o melhor ponto de vista e nem equipamento adequado, este foi o meu melhor resultado fotográfico do eclipse Solar (21/08/2017), a remeter para Eclipse de 2015 em:

https://4.bp.blogspot.com/-5jjjOUhj-4k/VQxUBXkXaMI/AAAAAAAAAGs/UyP7Vnk4LO0/s1600/_DSC1042edp1.jpg

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Entre fotografia e escrita...


...uma forma de dizer que, no meu caso, de momento a escrita está a levar a melhor, a um nível de exigência e de compromisso que me deixa pouco espaço, tempo e disponibilidade geral, também, para a fotografia. Sem natural prejuízo de quando combino fotografia e escrita, além ainda e não raro até acima de tudo incluído o meu prazer de apreciar a fotografia e a escrita doutras pessoas, como desde logo de quem como vós que duma ou doutra forma me seguem e/ou que eu mesmo sigo aqui no blogger. Pelo que em qualquer dos casos espero aqui regressar o mais breve e plenamente possível, se acaso, neste meu espaço pró fotográfico, até com mais exclusividade fotográfica do que por exemplo na combinação, da minha parte, entre fotografia e escrita. VB

domingo, 6 de agosto de 2017

Praia "privada"


...que não necessariamente com privacidade!

Bem! Desde logo para não ficar a ideia de que _ qual paparazzi _ ando a invadir a privacidade das outras pessoas, enquanto algo que por princípio não me interessa para nada e que até tenho como muito caro no que a mim respeita(*); na verdade a praia em causa é pública e o acesso de onde fiz a foto também _ por isso a adjectivação "privada" do titulo estar entre aspas. Sendo no caso uma praia tão pequena em extensão quanto belíssima na sua essência, de que espero a foto, apesar de a P&B, fale por si só e cuja presença dum único casal veraneante na mesma naquele momento eu aproveitei como adicional motivo de interesse, que no final terminou até por ser fundamental para eu titular a foto. Praia ainda inserida numa global envolvência lindíssima no seu todo, Porto Covo, que mais tarde ou mais cedo me merecerá uma particular atenção meramente fotográfica, aquém e além de passagem como no oportuno caso acima.  

(*)...que cada um de nós goste e necessite, mais ou menos, de partilhar a própria privacidade, até onde ou com quem, é outra coisa!VB  

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Estado de espírito II _ a redenção possível...



Quem se atrever a isso e não se perder na leitura do que se segue,  é porque a minha missão na partilha do mesmo está cumprida para com o exterior, aquém e além de cumprida de e para comigo mesmo tão só por o escrever!

Introdução 

O melhor conhecido de mim não deriva da minha cultura do mesmo desde sempre, mas sim e até pela inversa deriva da minha resistência a ter-me perdido do mesmo ainda durante a infância, com particular ênfase a partir da adolescência. De entre o que escrever por escrever ao respeito e na sequência eu sempre tenho de até pró vital, sanitária ou subsistentemente o fazer, ao menos de mim para mim mesmo. Mas a partir de que não sei até que ponto, no presente caso, é convenientemente apropriado expô-lo aqui como e enquanto tal ou não!? Salvo que até por ao escrevê-lo numa base pró vital, sanitária e/ou subsistente de e para comigo mesmo, face a umas circunstancias à partida pouco ou nada edificantes da minha parte; subsequentemente expô-lo como e enquanto tal, faço-o por duas grandes ordens de razão que se complementam de entre si e que na medida do absoluto e/ou para mim possível são: por um lado procurar honrar o melhor da vida, mesmo que e/ou até por quando eu passo ao lado do mesmo e por outro complementar lado, em que apesar de e/ou até pela benévola perda inerente a eu passar ao lado do melhor da vida, deixar no entanto uma mensagem global e conclusivamente positiva. Por mais difícil e complexo que isso seja de concretizar em termos o mais objectivamente simples e práticos possível, até por todo o paradoxo inerente, o que inclusive exige o peso de todo o meu percurso de vida. E em que estando a presente partilha directamente ligada à imediatamente anterior postagem também titulada "Estado de espírito", ainda que no presente caso de hoje  com uma perspectiva fotográfica muito diversa, como por assim dizer com uma imagem de todo mais multicolorida e até festiva face à anterior, mas em compensação com a vertente escrita de hoje muito mais aprofundada e extensa também face à anterior, tendo no entanto as respectivas fotos e seus complementares textos, de entre a presente postagem de hoje e a imediatamente anterior, em qualquer dos casos, directa ou indirectamente que ver com o que está básica e essencialmente em causa!

Essência

Após já mais de vinte e quatro horas mergulhado no estado de espírito inerente aos factores em causa e depois de várias páginas escritas ao respeito e na respectiva sequência, o melhor e mais sucinto que até ao momento me foi e está a ser suscitado pela substancial a situação em causa, inclusive pró aberta partilha da mesma aqui, é o seguinte:

Para além do próprio "milagre" do nascimento que não depende de nós mesmos, quanto ao mais e como algo que nas minhas mais de quatro décadas de vida tenho por muito raro, mesmo por uma verdadeira excepcionalidade, em muitos casos eventualmente inconcretizável, como foi e é Deus e/ou Universo me ter/em, na circunstancia, apresentado uma oportunidade de Vida, justa e diria mesmo literalmente coincidente com um meu sonho de anos, mesmo de décadas, no fundo desde toda a minha vida e que se alguma subtil diferença houve com relação ao por mim sonhado foi até positivamente para melhor. Dalgum modo num sonho com determinadas especificidades não totalmente inconcretizáveis, mas tão pouco de fácil conjugação e respectiva concretização prática, neste caso no entanto foi como se eu tivesse feito um determinado pedido num estabelecimento de serviço publico e esse pedido tivesse sido perfeitamente atendido como tal, inclusive com algum melhoramento. No entanto por motivos e razões que em parte não sei se entendo e se como tal posso explicar muito bem no seu todo, desde logo de e para mim mesmo, mas de entre o que se há algo que eu sei é que desses motivos e razões faz parte integrante o facto de por intermédias “portas e travessas” eu ter paradoxalmente deixado há muito de me sentir à devida e pró prática altura dos meus próprios sonhos, além de num determinado percurso existencial próprio ter perdido rotinas interpessoais e sociais práticas(*) que em determinados casos e circunstancias fazem toda a diferença, independentemente da personalidade mais introvertida ou extrovertida de cada qual, sequência de que neste meu caso acabei por não só torpe, como até fatalmente deixar escapar essa “milagrosa” oportunidade de vida, que tudo (99,99999%) indica a título definitivo _ desde logo a magia da forma, do momento e do contexto em que tal oportunidade natural, genuína e originalmente se proporcionou e eu a perdi será já sempre algo absolutamente irrecuperável. Seja que dalgum modo enquanto eu processava a surpresa de entre tudo semi-objectiva e espontaneamente se proporcionar como uma oportunidade de vida, tal como há muito por mim sonhada, versos eu ter deixado de acreditar na capacidade de concretizar os meus próprios sonhos, de resto numa determinada fase da minha vida creio que deixei mesmo de ter sonhos, ao menos minimamente definidos, além dalguns que vinham de trás e mas que se esbateram; logo como que num  misto de certa incredulidade de entre os meus sonhos ou a reminiscência destes, incluindo o concreto sonho aqui em causa, versos ter paradoxalmente deixado de me sentir à prática altura dos mesmos, dita oportunidade começou a esfumar-se. E ainda que de entre a sua vigência e a sua definitiva dissolução, a respectiva possibilidade dessa oportunidade de vida se concretizar a mesma ainda se tenha chegado a reavivar, como que numa segunda oportunidade Divina ou Universalmente concedida, no entanto e confessamente neste último caso eu já me tinha deixado invadir mais pela minha incredulidade há muito enraizada do que pela minha fé de dar os devidos passos, que a mim me cabiam, pró concretização dessa oportunidade. A partir de que incluindo uma multiplicidade de factores intrínsecos e extrínsecos a mim, como que para correspondente abono dos meus pecados acabei mesmo por não só deixar esfumar-se dita oportunidade de vez, como até dei alguns paradoxais passos em sentido inverso à sua concretização, mesmo sabendo eu os devidos passos que devia no imediato dar para a sua concretização _ dalgum resumido e confesso modo tenho de concluir que senti-me perdido e confuso perante o inesperado, mesmo que e/ou até por previamente por mim sonhado. De resto foram-me clara e até reiteradamente apresentados todos os pressupostos para os que eu até tinha todos os meios necessários e em parte até sobrantes para corresponder a esses pressupostos, ao menos no imediato, mas ainda assim não o fiz no mais que suficiente tempo útil que me foi proporcionado. E mas como se isso não basta-se por próprio pesar de mim para comigo mesmo, de entre meio e muito mais grave, até porque isso implica múltipla desilusão e mágoa para mim, esteve o facto de que como mínimo ainda desiludi e como máximo magoei uma outra pessoa que por si só e tanto mais se por me ter valorizado a mim me merecia todo o positivo inverso do que eu lhe “brindei” _ aparente desprezo, que para a própria foi efectivo. Isto enquanto precisamente tendo-me Deus e/ou o Universo apresentado essa mesma pessoa como fundamental parte integrante de concretização da vital oportunidade e/ou do meu próprio sonho inerente! Sendo que parte do que, tudo indica, faz da oportunidade em causa definitivamente perdida, inclui o facto de eu mesmo não me ter sequer auto proporcionado a mim próprio a oportunidade de criar uma positiva ou absoluta ligação básica com os elementos da “milagrosa” oportunidade _ naturalmente aquém e além deste posterior peso da sua inerente perda sobre mim, pior se com extensão a alguém mais, com todas as diversas implicações inerentes.

Sequência de que até na impossibilidade de por natureza espacial ou temporal, além ainda de por conjugação de factores dum mesmo “milagre” este pró redentoramente se poder repetir, com agravado acréscimo de no presente caso concreto eu nem sequer ter vinculado ligação básica com os elementos deste “milagre”, ao menos, pró possível mitigação das consequências da sua perda face aos seus próprios elementos, incluindo ou excluindo a possibilidade de lhe dar eventual continuidade, o que no seu conjunto suscitou o meu respectivo estado de espírito desde então, que como tal sei desde já ir deixar uma indelével marca, no limite mesmo uma profunda e vincada cicatriz no meu espírito, equivalente ao que e como escrito até ao momento, inclusive enquanto escrito directamente de dentro do meu, por assim dizer, atormentado estado de espírito inerente. Só que aqui, creio eu que entra uma pró positiva ressalva que passa e/ou é mesmo esta minha faculdade de escrever, inclusive enquanto na sua origem e correspondente continuidade como pró vital, sanitária ou subsistente necessidade derivada precisamente e acima de tudo do que me atormenta, já seja de mim para comigo mesmo, de mim para com o exterior, do exterior para comigo e/ou de entre mim e o exterior, de resto e para ser sincero não sei como poderia suportar e/ou como eventualmente superar algo como por si só a perda duma “milagrosa” oportunidade de vida, a concreto exemplo da aqui genérica e abstractamente referida, tendo ainda por base uma multiplicidade de factores, não raro contraditórios, inerentes à mesma e/ou acima de tudo a mim próprio face à mesma. A partir do que até é curioso que enquanto escrevo ao respeito, tudo parece estar muito significativamente bem comigo, mas mal paro de escrever e ao menos até que não chegue a uma conclusão escrita devidamente satisfatória face às circunstancias em causa, tudo o que entretanto e como melhor das hipóteses me resta é angústia e desespero, a partir dos pressupostos base para com esta mesma imperiosa necessidade de escrever a respeito e na sequência da sua origem; até porque oportunidades de vida são oportunidades de vida, que quando perdidas só regressarão numa eventual próxima reencarnação, com todas as implicações inerentes, que inclusive enquanto reencarnação já não seria nem se enquanto tal serei eu ser humano actual, mas sim um outro ser humano vindouro. Como seja que para o ser humano actual a oportunidade está perdida de vez, enquanto sendo o ser humano actual que está vivo ao invés do que eventualmente ainda há-de vir, mesmo que se do ponto de vista da reencarnação contendo um mesmo espírito ou uma mesma alma, de entre o corpo/ser humano que está e o que alegadamente há-de vir em virtude do desaparecimento do primeiro, o que como tal digo eu será seguramente sempre numa pessoa, num tempo, num espaço, numas circunstancias e numa vivência diversa/os de entre o presente e o eventualmente vindouro.

Sequência de entre o que precisamente de momento o meu estado de espírito não está para muito mais ou melhor do que para vir aqui dizer isto, com gratidão e respectivo pedido de perdão a Deus e/ou ao Universo pela oportunidade que me foi concedida e mas por mim respectivamente perdida, mas também e desde logo com pedido de perdão e respectiva gratidão a quem aqui me segue e que nos casos mais explícitos e/ou participativos me mereceriam algo animicamente mais leve, satisfatório ou prazenteiro _ salvo o facto de que a vida não é só leve, satisfatória ou prazenteira, ainda que haja casos e casos!

Mas de todo o modo estou cada vez mais convictamente em crer que tudo acontece por um justificado desígnio divino, vital ou universal de fundo, mesmo que esse desígnio nem sempre seja fácil e em parte sequer possível de entender ou de gerir objectivamente e de digerir funcionalmente por nós humanos, o que no limite e dependendo de diversas variantes, até pode mesmo tornar-se de todo ingerível ou indigerível, ainda que por sua natureza original e dentro das respectivas normas vitais ou universais naturais seja um desígnio essencialmente gerível e digerível, ao nível da natural dimensão de cada qual, até porque o respectivo é e/ou passa em si mesmo pela própria vida de cada qual, na indefinida vastidão de vida envolvente, de que neste último caso faz por si só composta e interdependente parte integrante a vida de cada qual. Como seja que esse desígnio é a vida em si mesma, por sua incontornável natureza a exigir por norma o melhor de todos e de cada um de nós, já seja defensiva ou activamente. O que no meu caso, ao menos até ao presente momento, tem resultado nisto que e como constatável, desde logo por via desta minha presente e concreta expressão escrita que por si só iniciei circunstancial/providencialmente acto espontâneo há já mais de duas décadas como uma minha pró vital, sanitária ou subsistente necessidade própria, por assim resumidamente dizer de entre o efectivo ou potencial melhor e pior da própria vida, enquanto em prol do melhor e por automática inerência em detrimento do pior. Isto a partir duma base em que antes, durante e depois do mais me senti perdido do melhor de mim mesmo e não queria em absoluto cair no respectivo pior de mim mesmo, aquém e além de necessitar o mais e melhor (positiva e vitalmente) possível equivaler-me ao melhor envolvente e até por isso automaticamente na correspondente medida do possível (auto) defender-me do respectivo pior envolvente; a partir do que após uns anos de intimista e inicialmente rudimentar escrita de e para comigo mesmo nas circunstancias em causa, passei então há cerca de meia dúzia de anos a esta parte e num não menos circunstancial/providencial acto espontâneo a também necessitar divulgar/partilhar o que e como escrevo neste meio virtual. Em qualquer caso como uma minha natural e espontânea expressão (pró) vital ou existencial própria, que enquanto tal é e/ou mesmo desejo e necessito seja o mais pró positiva e edificante possível. Já agora incluindo ou excluindo a minha mais lúdico-recreativa expressão fotográfica que inclusive neste blogue é prioritária, fazendo inclusive aqui da escrita o complemento! Mas em qualquer caso num global conjunto em que coloco o mais, melhor quando não mesmo tudo de mim, seja qual for a complementar ordem hierárquica entre fotografia e escrita ou vice-versa, enquanto tal e salvo a imodéstia creio global e essencialmente resultar do mesmo algo (pró) positivo e edificante. Permitindo-me até sobreviver, por si só pró positiva e edificantemente, inclusive à inversamente pouco ou nada positiva e edificante perda duma “milagrosa” oportunidade de vida, por mim mesmo sonhada como e enquanto tal desde há muito, dalgum modo desde sempre e mas logo também por mim mesmo definitiva e lamentavelmente perdida.    

Pelo que enquanto tal espero, por não dizer mesmo que estou certo poder e dever o presente reflectir-se (pró) positiva e edificantemente no exterior, desde logo em quem aqui me lê, mas que acima de tudo gostaria se pudesse reflectir, mesmo que indirecta e remotamente, em todas as pessoas que alguma vez e/ou dalguma forma desiludi ou pior se magoei, em especial se quando e enquanto  merecendo as mesmas por si sós e tanto mais se pelo que me dedicaram a mim, o meu respectivo e literal melhor próprio a cada momento, o que no circunstancial ou providencial caso concreto passa e/ou é mesmo esta minha expressão escrita complementada por expressão fotográfica e/ou vice-versa, em qualquer dos reiterados casos como o melhor possível de mim dum modo geral, com respectivo reflexo no presente momento e suas respectivas circunstancias.

Moral da história, já não importa tanto a oportunidade de vida por mim perdida, quanto o que e como eu estou a fazer com ela ou melhor com a perda da mesma. Que se acaso e nas circunstancias em causa o desígnio era mesmo perdê-la!

VB

(*)...fazendo directa ligação com a referência que fiz na anterior postagem enquanto complementarmente ligada a esta, designadamente quando referi: _"...a por vezes dúbia ligação entre existência real e existência virtual", no meu presente e confesso caso de entre, por assim dizer, esta minha existência social virtual versos minha inexistência social prática. O que ao referi-lo como tal retira da equação o factor dúbio, independentemente de segundo os casos e as circunstancias com respectiva conotação positiva ou negativa deste último!