terça-feira, 6 de junho de 2017

Sobreposição: desenho, fotografia e escrita…

  Criei originalmente este blogue "Receber e Dar" com exclusivo propósito fotográfico. Mas há fotos e/ou seus respectivos conteúdos acerca da/os que não posso deixar de dar alguma explicação ou fazer alguma complementação, designadamente escrita _ o que começando a ser recorrente não sei até que ponto é ou não preocupante!? Como é o seguinte triplo caso fotográfico, que já agora está inspirado na postagem: “Desenhar”, que eu mesmo comentei, no excelente blogue: “o sítio das pequenas coisas”, propriedade da para mim, também, já muito estimada: Laura Ferreira.   


…antes da prática da fotografia e da escrita na minha vida, mais ainda antes da massificação das tecnologias digitais e das respectivas redes sociais virtuais, eu já desenhava. Ah! E claro que se pode desenhar digitalmente, mas para mim a magia do desenho está no lápis, na barra de carvão, no papel ou em qualquer outro suporte físico.

            A partir de que pela actual via fotográfica e digital deixo aqui três exemplos, duma minha fase mais autodidacticamente profícua ao nível do desenho em suporte de papel, que também coincidiu com os últimos desenhos que em absoluto fiz, na já longínqua década de noventa do passado séc. XX. 

        Sendo que o primeiro, da bela modelo feminina acima, envolve uma história tão interessante quanto após mais de meia dúzia de anos sem desenhar em absoluto, incluindo que até então só havia desenhado rudimentarmente ao nível escolar, com alguma que outra intermédia e espontânea derivação doméstica, mas sempre enquanto jovem estudante. Isto até que quando por um lado em sequência duma tão marcante quanto impossível paixão sentimental derivada do tempo escolar, com dita impossibilidade que começava e terminava logo em mim por mim mesmo face ao objecto da paixão, aquém e além de entre mim e este último; enquanto por outro lado em sequência duma profunda frustração derivada de anos de crescente dedicação à actividade desportiva/futebolística, que tive de deixar em sequência de dupla lesão física. O que em qualquer caso e tanto mais se no seu conjunto, envolve uma história da minha parte cuja descrição não cabe no presente contexto, mas que se pode resumir a um meu redundante e não menos marcante fracasso interpessoal, social e curricular escolar modo geral, com tudo o que ao mesmo me levou e que do mesmo derivou para com e sobre mim. Mas dai que por um respectivo lado inspirado pela minha impossível paixão sentimental derivada dos tempos de escola, a cujo estereótipo a modelo do desenho acima essencialmente correspondia e por outro lado impulsionado pela energia (física, mental, técnica, táctica, etc.,) que durante anos dedicara à prática futebolística e mas que se viu definitivamente interrompida, em pleno crescendo da mesma; eis que circunstancial/providencial e espontaneamente, a partir dessas duas forças, que não sei até que ponto são divergentes ou convergentes de entre si mesmas, mas que foram complementares com relação a concretizar o desenho aqui em causa. Como desenho que eu auto defino de tão impulsivamente espontâneo quanto (pró) objectivamente técnico, num misto de fluidez sentimental e de rigidez realista/perfeccionista. Tudo a partir do (quase) nada que eu sempre fora ao nível do desenho, apenas com ressalva para quando ainda durante a instrução escolar primária, sob tutela duma daquelas professoras austeras que puxam orelhas, davam bofetadas, palmatoadas e taxam os alunos de “burros” ao mais mínimo erro curricular e pior se a qualquer mínima falta disciplinar, no entanto a mais austera dessas professoras numa determinada ocasião, após um didáctico exercício de desenho e correspondente avaliação docente, acabou ineditamente solicitando-me se poderia ficar com um desenho que eu havia feito, que segundo ela (professora) revelava muita imaginação da minha parte. Foi uma honra a que não pude em absoluto resistir. Ainda assim elogiosa honra mais alusiva à minha alegada imaginação do que à minha técnica/capacidade de desenho, ainda que por via deste último. Seja que, dalgum modo, começara e terminara ai qualquer minha glória ao nível do desenho em particular e inclusive ao nível escolar modo geral, onde salvo um esforçado e sofrível medianismo, de resto e modo geral jamais passei da mediocridade. Dai que ao ser este desenho da modelo agora aqui exposto, praticamente o primeiro que fiz nas sequencialmente globais circunstancias em causa, meia dúzia de anos após ter deixado o contexto escolar em absoluto, só posso mesmo auto-considerar um desenho derivado duma história própria particularmente interessante, quer pela vertente de paixão sentimental impossível, quer de ambição futebolístico-desportiva não menos impossível, por assim dizer com um redundante fracasso interpessoal, social e curricular como máximo denominador comum, tudo com reflexo na minha existência dum modo geral. Mas ao que em qualquer dos casos sobrevivi, ao menos a ponto de estar agora aqui a auto expressar-me ao respeito, inclusive numa expressiva sobreposição própria, por via do desenho, da fotografia e da escrita, acima de tudo como constatação duma realidade própria, aquém e além de falsas modéstias e/ou de vãs presunções.
              


 Já agora uma palavra para os dois subsequentes desenhos imediatamente acima, a do cesto de pão, do jarro e o copo de vinho efectuado em pastel seco e o do pequeno veleiro efectuado em aguarela, como minhas subsequentes derivações auto-didacticamente práticas e ensaísticas com relação ao desenho e à complementar pintura, enquanto derivações já posteriores ao anterior desenho da bela modelo feminina, tudo ainda numa prática de desenho algo intermitente e esporádica no tempo; o que de resto e em qualquer caso, por diversos motivos e razões, até ao momento se ficou por estas derivações auto-didacticamente práticas e ensaísticas que não desenvolvi, precisamente para além dos dois últimos exemplos em causa, como os até ao momento, derradeiros desta minha circunstancial/providencial incursão pelo desenho e pintura, pós escolar. Mas que entretanto foi uma experiência fundamental com relação a uma fase particularmente delicada da minha existência, em que eu cheguei a ter estes desenhos como o melhor de mim, não só e ao nível do desenho mas ao nível pessoal, humano e existencial modo geral, também dai eu a referir como uma experiência circunstancial/providencial, que valeu e continuará a valer indefinidamente como tal!  
          
Finalmente e sem falsas modéstias, não tenho os meus desenhos propriamente como Arte, bem longe disso, mas que ao menos nos casos aqui expostos, com tudo o que me trouxe aos mesmos e que dos mesmos derivou para com e sobre mim, que na sequência e respectiva medida do possível foram feitos com alma lá isso foram. Cujo primeiro, da bela jovem modelo, auto preservei-o durante anos como motivo de me fazer pensar ou sentir que ao menos potencialmente eu seria ou valeria um pouco mais do que um redundante fracassado interpessoal, social e curricular escolar, subsequentemente desportivo e existencial modo geral; já o segundo foi adoptado pela minha mãe e o terceiro por uma irmã; o que em qualquer dos casos não vale como exterior, qualificado e/ou imparcial interesse artístico.   

                                                                      Victor Barão

                                                                       receberedar.blogspot.pt (PORTUGAL)   

7 comentários:

  1. Parabéns Victor! Gosto especialmente do primeiro desenho.

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    1. Obrigado! O primeiro também é o mais elaborado.
      Abç

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  2. que belos desenhos, o primeiro talvez seja o que gostei mais, mas o do barco também é muito de meu agrado.
    parabéns por estes trabalhos.
    beijinhos
    :)

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    1. Obrigado! São o fruto duma minha tão inspirada quanto iniciática deambulação pela dimensão do desenho e da pintura, que desde há muito e até ao momento se ficou por ai mesmo _ salvo no (omni)positivo efeito que teve em mim, tão só tê-lo/as concretizado!
      Beijo

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  3. E voltando ao Receber e Dar depois de o ter adicionado à minha lista - não sei se comentei antes quando passei por cá, sei que gostei das fotografias - que as achei especiais e me perdi também a ler os textos, obrigada pelo comentário lá no dona-redonda e agora quando vou voltar, vou tentar comentar mais :)
    um beijinho, bom fim-de-semana também
    Gábi

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    1. Obrigado pelas palavras e por ter adicionado o meu blogue às suas listas, que foi algo que eu já havia reparado e mas creio que me esqueci de em concreto agradecer no comentário que ontem fiz no Dona-Redonda. Quanto às minhas fotos, as mesmas serão tão mais "especiais", quanto eu consiga pôr a minha mais genuína visão nas mesmas, o que nem sempre é fácil para mim, até porque num quotidiano em que não raro temos, ao menos eu tenho, de senão abdicar pelo menos de amenizar significativamente a nossa/minha mais genuína identidade própria, acaba por nem sempre haver predisposição para...; mas acima de tudo deixo esse "especial" critério à de todo não menos especial perspectiva de quem, como no grato caso concreto da Redonda-Gábi, aprecia as minhas fotos. Já quanto aos meus textos, só posso esperar que a "perdição" na leitura dos mesmos, seja uma boa _ vulgo minimamente positiva/satisfatória _ perdição :).
      Obrigado por tudo e sinta-se sempre à vontade para voltar, com ou sem comentários, segundo lhe seja naturalmente suscitado. Mas que cada retorno lhe seja dalgum positivo modo proveitoso, porque isso será sinónimo de que eu mesmo estou à prior e à posterior a desfrutar genuinamente da minha presença aqui.
      Beijo, agora já só com desejo de bom Domingo que está mesmo ao virar da última hora ;)
      Victor

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    2. ...onde eu disse "amenizar" eu queria mais bem dizer: atenuar!...

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