segunda-feira, 15 de maio de 2017

Progenitor/a coragem


Se acaso peço desde já perdão por vos contar a seguinte história, essencialmente enquanto a mesma como minha pró vital, sanitária ou subsistente forma própria de lidar com as reais circunstâncias inerentes à mesma, isto com mais de 99% de probabilidade do seu pior derivar de pejorativa acção da minha própria humanidade! Desde logo com a ressalva de que o que vou relatar de seguida é algo comum na própria natureza, como seja os elementos progenitores duma determinada espécie perecerem, desde logo às garras ou presas dum seu respectivo predador natural, deixando as respectivas crias ao agonizante e fatal abandono. Só que na natureza, por esmagadora norma, as espécies só se matam de entre si para efeitos de subsistência orgânica de cada uma; enquanto o ser humano mata por todos os motivos e mais um ou até por motivo algum, desde logo como as restantes espécies mata por natural necessidade de subsistência própria, mas também mata por luxúria, por ganância, por desporto, por prazer, por preconceito, por ignorância, por arrogância, por prepotência, por pura estupidez, …, não raro matando, lamentavelmente, só porque sim ou porque não!? 

Pelo que sem pretensões puramente fotográficas, ainda que tão pouco descorando de todo essa vertente, mas acima de tudo com pretensões documentais, vou passar a contar-vos uma história de esperança através da fotografia, que mesmo correndo o risco de redundância fotográfica, no entanto faço questão de postar fotos de cada dia a que as mesmas aludem, tudo com complementar suporte escrito.

Começando por confessar que por qualquer natureza própria tenho tendência a prender-me a causas tendencialmente perdidas, desde logo porque tendo a empatizar com a réstia de vida e de respectiva esperança inerente a esses mesmos casos. Claro que sofro tremendamente com isso, designadamente durante toda a angustiante fase em que se mantém a esperança, mesmo que com perspectivas de vital sucesso presas por uma linha muito fina, não raro redundando em fatal resignação.

O que no presente caso de entre fotografia e texto, da minha leiga e mas também sentida perspectiva própria, a seguinte história viva e como tal em aberto, com correspondentes “cenas dos próximos capítulos”, até ao presente momento resume-se condensadamente assim:

Dia 05/05/2017

Até por um meu desde há muito auto imposto princípio próprio, que é o de salvo as devidas excepções, de resto e modo geral se à partida sinto ou sei que não posso ser positiva/vitalmente útil ao que ou a quem quer que seja, desde logo ao meio ambiente natural que inclusive me transcende em muito, prefiro abster-me de interferir, deixando a natureza das coisas, desde logo da própria vida falar/agir por si só. O que por norma até leva a que com relação à própria natureza selvagem eu nem repare muito nos processo inerentes à mesma. Mas como no passado dia cinco (05) se conjugaram condições climáticas que me agradam pró fotograficamente, o que no associado caso me suscitou fotografar uma família de cegonhas que como noutras ocasiões nidificou mesmo em frente a minha casa. No caso família de cegonhas que para além dos dois progenitores eu sabia já incluir crias, ainda que não soubesse quantas. De resto dessa sequência resultou uma foto que no passado dia sete (07) _ dia da mãe _ publiquei aqui sob titulo “Maternal”, duma perspectiva essencialmente fotográfica. Mas a que agora adiciono as seguintes fotos, mas agora duma perspectiva já mais documental, que enquanto feitas ainda no passado dia cinco (05) são as seguintes:



Dia 10/05/2017

As fotos feitas no imediatamente passado dia cinco (05), foram concretizadas duma forma algo improvisada. Mas como no seguinte dia seis (06) as condições climáticas já tinham derivado para um nível pouco pró fotograficamente interessante para mim. A partir de que desinteressando-me pela fotografia também deixei de atentar na família de cegonhas, aquém e além de como sempre dar por mim esporadicamente a observá-las só pela facilidade de as ter em frente a casa. Isto até que no subsequente dia (10) as condições climáticas voltaram a evoluir para um nível mais pró fotograficamente apelativo para mim e para este tipo de fotografia mais paisagística e/ou da vida natural selvagem. A partir de que já na tarde do subsequente dia (10) voltei a tentar fotografar de novo a família de cegonhas, inclusive duma forma logística e objectivamente mais preparada do que a forma mais improvisada em que o fiz no imediatamente anterior dia (05); inclusive pretendia agora fotografar as cegonhas dum determinado ângulo e com determinadas condições de luz, inclusive a quando dum dos elementos progenitores da família de cegonhas a pousar ou a levantar do ninho, nas suas idas e vindas na tarefa de alimentar as crias. Só que ao invés do que se passara no anterior dia cinco (05) em que em cerca de pouco mais duma hora um dos progenitores saiu e regressou ao ninho três vezes, enquanto outro se mantinha em guarda no ninho, no entanto neste subsequente dia dez (10) e após cerca duma hora e meia em espera não vi mais movimento do que o progenitor que se mantinha em guarda no ninho e alguma das crias que a espaços levantava suficientemente a cabeça como para se ver a partir do chão onde eu me encontrava. O que me levou desde logo a achar aquilo algo estranho, desde logo em comparação ao ocorrido no transacto dia cinco (05), mas não conhecendo eu objectivamente bem o comportamento das cegonhas também fiquei na dúvida de entre saber se este último comportamento seria algo meramente diverso e mas eventualmente tão natural como o do anterior dia cinco (05); o facto é que sem a presença dum segundo progenitor a levantar e a pousar no ninho, também poucas e fotograficamente despretensiosas fotos fiz, tendo sim ficado curioso e intrigado com relação aquele díspar comportamento das cegonhas de entre um dia (05) e outro (10) e como tal também mais atento, a partir de que passei a observar as cegonhas mais objectiva e atentamente, desde logo a partir de casa. Com primeira observativa conclusão de que neste dia dez (10) não voltei a ver o segundo progenitor e nem o progenitor que se mantinha no ninho de lá voltou a sair até a noite cair. Comecei então a ficar preocupado, com a suspeita de que algo anti-natura se estaria a passar, mesmo que na minha leiga e pró optimista dúvida de que tudo aquilo poderia ser normal, com apenas alguma circunstancial variação face ao anterior dia cinco (05), pelo que nesta noite de dez (10) para onze (11) ainda dormi relativamente descansado, mas já com uma sensação estranha com relação aquela família de cegonhas. Para com o que cujas documentalmente ilustrativas fotos da minha observação do dia dez (10) são:



Dia 11/05/2017

Que dada a díspar sequência comportamental das cegonhas de entre os dias cinco (05) e dez (10), no subsequente dia onze (11) passei logo a partir da manhã a observar a família de cegonhas, o que com alguns pontuais interregnos de por meio, mas ainda assim com reforço familiar, tão só da minha parte cheguei a estar em observação mais se duas horas seguidas, sendo que no final da tarde e até mesmo ao cair da noite, estive cerca de quatro horas consecutivas em observação. E durante todo o tempo de observação no dia onze (11) em momento algum o progenitor presente no ninho de lá saiu, nem o outro segundo progenitor regressou ao ninho uma só vez. Aqui já escusado será dizer que para além de estranheza também já uma certa angustia começava não só a tomar conta como mesmo a crescer em mim. Desde logo passei a imaginar que algo mau de fatalmente mau passara com o progenitor ausente _ que de resto segundo sei não é a primeira nem a segunda,… vez que tal sucede _ e por força da sua própria natureza o progenitor presente no ninho se mantinha em guarda e em respectiva espera pela/o companheira/o, com natural prejuízo de toda a família e desde logo das crias, seguramente com crescente fome e sede _ de mal o menos que o tempo estava chuvoso. De resto as condições climáticas que pró fotograficamente me interessavam incluíam precisamente chuva entremeada com sol e no caso sempre que chovia o progenitor no ninho de imediato protegia as crias com o corpo e com as asas, desde logo aninhando-se sobre elas e logo que parava de chover e o sol voltava esse mesmo progenitor levantava-se, sacudia as assas, limpava as penas com o bico e sem mais continuava imóvel em guarda dos filhos e em indefinida espera pelo outro progenitor. Pelo que neste dia onze (11), apesar de todas as preocupações da minha própria vida, que por exemplo incluem a condição de desemprego, reforçada pela não menos preocupante condição de relativamente prolongada baixa médica, no entanto não consegui evitar que a situação daquele família de cegonhas me começasse a incomodar/perturbar mais que os meus próprios problemas, pelo que nesta noite de dia onze (11) já me deitei com significativa e crescente angustia derivada da anómala situação das cegonhas, inclusive durante todo o dia até já pensei pouco ou nada em fotografia, de resto neste dia só fiz uma única foto a partir de casa alusiva aludindo a esta família de cegonhas, cuja foto em causa é a seguinte:


Dia 12/05/2017

O subsequente dia doze (12) já foi para mim essencialmente dominado pela situação da família de cegonhas, que mais uma vez com alguma ajuda de meus familiares, passei a observar desde manhã. E também mais uma vez com o elemento progenitor restante desta família de cegonhas ininterruptamente presente no ninho, sem que o outro respectivo elemento progenitor regressasse ao ninho. Seja que aqui já caminhava para pelo menos quarenta e oito (48) horas, sem que houvesse qualquer positiva alteração, para uma situação que, mesmo leigamente da minha parte, se me afigurava cada vez mais angustiantemente preocupante. Sendo que me mantive em mais ou menos permanente observação desde manhã até cerca das quinze horas em que tive de sair para afazeres familiares, só tendo regressado já noite dentro. De entre o que nem a série de afazeres familiares, a distância e mais uma série de distracções envolvente me chegaram a fazer esquecer totalmente a situação daquela família de cegonhas, até porque logo após eu teria de voltar a enfrentar os factos, pelo que já de volta a casa e durante o caminho cheguei a sentir-me crescentemente angustiado, primeiro duma forma semi-inconsciente e depois cada vez mais consciente do motivo dessa angustia. Mas entretanto durante a manhã, cheguei a aproveitei para fazer mais algumas fotos alusivas a esta família de cegonha, mas então já só com preocupações pró documentais, de cuja meia dúzia de fotos que fiz neste dia doze (12), as duas seguintes são prático exemplo:



Dia 13/05/2017

Após tudo o anterior, o que posso dizer do dia (13) senão que tudo se mantinha como anteriormente, incluindo acréscimo da minha angustia inerente. Ainda que aqui tenha tido uma noticia que indiciava uma ligeira variação no comportamento do elemento progenitor presente no ninho, que foi o facto de em sequência de no dia anterior (12) um meu familiar ter falado a uma vizinha acerca do que se passava com as cegonhas, respectivamente durante a tarde de dia doze (12) em que familiarmente estivemos ausentes de casa, a respectiva vinha em causa a quem se tinha falado na situação, na respectiva manhã de dia treze (13) disse-nos que na tarde anterior do dia doze (12) o elemento progenitor presente no ninho havia saído pelo menos uma vez e regressando algum tempo depois. O que me levou a pressupor que o mesmo se haveria ido alimentar já em última instância e que eventualmente haveria trazido algum respectivo alimento para as crias, que então eu já sabia serem três dado tê-las visto e fotografado a partir da torre da igreja no dia anterior (12). Isto ainda que no próprio dia treze (13) o elemento progenitor não tenha saído do ninho uma única vez durante a manhã, mas durante a tarde saiu três vezes, mesmo que tendo de deixar as crias desprotegidas quer do clima quer de eventuais predadores, com a última dessas saídas a ultrapassar em muito uma hora de ausência, incluindo que entretanto anoiteceu sem que o mesmo regressa-se, o que no topo da angústia me levou a pressupor que eventualmente em desespero de causa esse derradeiro elemento progenitor abandonara definitivamente o ninho. Procurei mais tarde, já noite dentro constatar a presença ou ausência do elemento progenitor no ninho e para meu mínimo alívio, o mesmo afinal regressara já mesmo de noite. Sendo que durante todo o dia (13) fiz mais uma série de fotos, com a particularidade do elemento progenitor restante, ao menos durante toda a manhã, se ter mantido durante longo período numa posição estática e semi-fechado sobre si mesmo, o que salvo as suas saídas da parte da tarde, à partida me fez pressupor uma situação de abnegada/resignada e enquanto tal angustiante letargia por parte deste elemento progenitor, com respectiva sequência nas suas crias, como dalgum modo documentam as seguintes fotos:






Dia 14/05/2017

Dia catorze (14) o elemento progenitor restante estava ausente do ninho logo às sete da manhã e assim se manteve por cerca de mais de duas preocupantes horas consecutivas, em que inclusive aproveitei para fotografar e filmar as de momento já só duas crias no ninho, num misto de esperança de que estas ainda se salvem e mas também de angústia por eventualmente isso não suceder, até porque se para tal não me bastasse o senso comum, entretanto também andei a ler algo na Net acerca dos hábitos de alimentação e de procriação das cegonhas e um dos itens li dizia que ambos os elementos progenitores alimentam as crias, inclusive com significativa assiduidade e abundância, além de que por norma fica sempre um dos progenitores no ninho a proteger as crias dos predadores, dos elementos climáticos (frio, calor, chuva, etc.) ou dalgum acidente, como possível queda das crias do ninho. Pelo que num misto de senso comum e de avalisada leitura dedicada _ salvo sempre possível milagre _ de resto não estou muito bem a ver como pode um único elemento progenitor alimentar e proteger as crias, mesmo que sendo já só duas, visto que a terceira talvez já tenha morrido e/ou caído do ninho, o que em qualquer dos casos não consegui comprovar. No entanto o facto é que quando escrevo estas linhas, já passando das vinte horas da tarde, posso confirmar que o progenitor restante já se ausentou e regressou ao ninho quatro vezes só neste dia (14), pressupondo eu que o mesmo que está crescentemente activo quer pró auto subsistência própria, quer pró sustentação das crias que lhe restam, inclusive à semelhança do anterior dia (13) o mesmo está ausente imediatamente antes de anoitecer, ainda que hoje catorze (14) tenha regressado ao ninho um pouco antes de terminar de anoitecer. No caso dia de hoje (14) de que também deixo documental referência fotográfica, inclusive por que fotografei mais do que costume e até filmei, levando a significativa dificuldade em escolar as fotos a postar aqui, que no caso terminam sendo as seguintes, com complementar adição dum pequeno vídeo:









  video

15/05/2017

Hoje dia quinze (15) continua tudo em aberto, desde logo com a/o única/o progenitor/a que resta, a sair e a voltar ao ninho com alguma regularidade, ainda que imagino não com tanta regularidade quanto fosse os dois progenitores e inclusive com relativamente longos períodos de ausência, por vezes a ultrapassar uma hora consecutiva deixando as crias à sua sorte, desde logo sem protecção face à mais diversas ameaças, a começar pelo clima, já calor. Seja que terminado o dia, posso dizer que da parte da manhã não tive grande oportunidade de observar o comportamento desta família de cegonhas, apenas com um dos elementos progenitores. Mas de entre a ausência do ninho por parte do elemento progenitor restante logo pela manhã e a sua presença no ninho ao inicio da tarde, reforçado por três idas e vindas ao ninhos durante a tarde, fez-me concluir que tudo estará a correr na melhor medida do possível, de entre este mesmo elemento progenitor sair para se alimentar a si mesmo e trazer alimento para as, que espero, ainda duas crias restantes. Pelo que até devido a outros afazeres, hoje optei por fazer uma observação mais à distância, a partir de casa, e também mais esporádica, mas suficiente para por mim mesmo e com ajuda externa me aperceber das idas e vindas ao ninho do único elemento progenitor desta família de cegonhas. Dai que também tenha feito poucas fotos e significativa distância, uma das fotos a retratar ausência e outra a retratar a presença do elemento progenitor no ninho, em ambos os casos com pouca qualidade fotográfica final, dado que derivam de fortes recortes de imagem:



…com respectivas cenas dos próximos capítulos!...

                                                                                                                     VB

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